Estados Unidos quer equilibrar a expansão da China no Brasil

A China tem feito muitas ações no Brasil e, até a eleição do governo Bolsonaro, só vinha crescendo como parceiro comercial brasileiro. Essa expansão chinesa assusta os Estados Unidos a ponto de injetar dinheiro no país para equilibrar sua participação.

Na última terça-feira (20), o governo americano propôs ao Brasil que os EUA podem investir em empresas de telecomunicações brasileiras para ajudá-las a comprar equipamentos de rede de fornecedores que não sejam a Huawei Technologies. Isso faria parte do plano de “competição com os negócios chineses” do governo Trump.

De acordo com um comunicado à imprensa no site da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o Export-Import Bank of the United States assinou um memorando com o governo brasileiro para fornecer ao Brasil até US$ 1 bilhão em financiamento para promover “oportunidades de desenvolvimento de negócios”, incluindo telecomunicações.

Abrindo a carteira, o objetivo americano é persuadir o Brasil a monitorar os movimentos e investimentos chineses no país. Os recentes acordos comerciais entre os EUA e o Brasil abrem caminho para novas negociações sobre aço, etanol e açúcar e podem promover maiores investimentos dos EUA no país.

A posição do Brasil quanto a tecnologia 5G da Huawei vem titubeando desde fevereiro. O ministro Marcos Pontes e o vice-presidente Mourão já declararam no passado que não haveria discriminação no processo licitatório, mas, assim como no caso das vacinas, a palavra final parece ser do presidente.

Huawei atua no mercado brasileiro há quase 22 anos e conta com mais de 2000 funcionários. Em agosto do ano passado, o grupo anunciou um investimento de US$ 800 milhões para abrir uma fábrica de smartphones em São Paulo, o que teria previsão de gerar cerca de mil empregos. Nada disso reduz a fabricação fake news sobre a empresa e sobre a China como um todo, que continua de vento em popa no WhatsApp e nas redes sociais.

Quem avisa amigo é: Em uma cúpula virtual sobre o aumento da cooperação EUA-Brasil, o secretário de estado dos EUA, Mike Pompeo, ressaltou a importância de expandir os laços econômicos bilaterais, dado o que chamou de “risco enorme” decorrente da participação significativa da China em suas economias. “Na medida em que podemos encontrar maneiras de aumentar o comércio entre nossos dois países, podemos diminuir a dependência de cada uma de nossas duas nações por itens críticos”, diss ele.

Enquanto o presidente decide se proíbe ou não as empresas de telecomunicações brasileiras de comprar equipamentos 5G da Huawei, os EUA continuam aliciando o Brasil em busca de equilibrar sua participação no país.

Mesmo sob ameaças, vendas de armas dos EUA a Taiwan seguem para aprovação

Seguiu para aprovação e revisão do Congresso americano o plano aprovado ontem (21) de vender três tipos de sistemas de armas a Taiwan, no valor total de $1,8 bilhão. O Departamento de Estado dos EUA disse que os mísseis de ataque terrestres melhorariam a “capacidade do destinatário [Taiwan] de enfrentar as ameaças atuais e futuras, uma vez que fornecem capacidades de ataque de precisão em qualquer tempo, dia e noite, contra alvos móveis e fixos”.

Em resposta, China pediu que os EUA reconheçam os graves danos das vendas de armas a Taiwan. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que as vendas de armas dos EUA para Taiwan violaram gravemente o princípio de uma só China e os Três Comunicados. Segundo o porta-voz, isso interfere seriamente nos assuntos internos da China, mina seriamente a soberania e os interesses de segurança da China e atua contra as forças separatistas da “independência de Taiwan”.

Os Três Comunicados, são uma três declarações conjuntas feitas pelos governos dos Estados Unidos e da República Popular da China (RPC). Os comunicados desempenharam um papel crucial no estabelecimento das relações entre os EUA e a RPC e continuam a ser um elemento essencial no diálogo entre os dois Estados. No primeiro comunicado (28 de fevereiro de 1972), os lados concordam em respeitar a soberania um do outro e que “todos os chineses em ambos os lados do estreito de Taiwan afirmam que existe apenas uma China”. No segundo comunicado (1º de janeiro de 1979), o governo dos Estados Unidos declarou que encerraria as relações políticas formais com Taiwan. No terceiro comunicado (17 de agosto de 1982), além de outras afirmações, os Estados Unidos declararam sua intenção de diminuir gradualmente sua venda de armas para Taiwan.

Posteriormente, os Estados Unidos complementaram unilateralmente o terceiro comunicado, adotando as chamadas “Seis Garantias” para Taiwan, onde asseguravam a Taiwan e ao Congresso dos Estados Unidos que os EUA continuariam a apoiar Taiwan, mesmo que ele tivesse cortado relações diplomáticas formais. No texto das garantias, os Estados Unidos não concordaram em definir uma data para encerrar as vendas de armas a Taiwan e não concordaram em consultar a China sobre vendas de armas a Taiwan.

O pacote que segue para aprovação do congresso tem 135 mísseis de ataque terrestre avaliados em $1 bilhão, $436 milhões em sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade e $367 milhões em sensores de vigilância e reconhecimento, a serem montados nos 66 novos modelos de aeronaves F-16 Block 70 da Lockheed, recém adquiridos dos EUA.

Além das críticas chinesas, Zhao Lijian prometeu retaliação, “A China dará uma resposta adequada e necessária de acordo com o desenvolvimento da situação”. Enquanto isso, em Tapei, o porta-voz do Gabinete Presidencial Xavier Chang agradeceu os EUA e disse em comunicado que “Ao nos fornecer essas armas defensivas, os EUA não estão apenas ajudando Taiwan a fortalecer e modernizar nossas capacidades de defesa nacional, mas também aumentando nossas capacidades assimétricas, tornando Taiwan mais capaz e confiante de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e na região”.

Este é o oitavo pacote de venda de armas anunciado pela administração do presidente Donald Trump. Segundo Ian Easton, diretor sênior do Instituto Project 2049, o governo dos Estados Unidos evitou vender armas que pudessem atingir o território da China.

Parece que a Guerra Fria entre Estados Unidos e China está esquentando cada vez mais, e Taiwan está acreditando fortemente na proteção americana e, talvez, do QUAD (Quadrilateral Security Dialogue), um forum estratégico “informal” formado por Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia.

Pessoas com diabetes têm maior risco de câncer e menor chance de sobreviver

Estudo sueco de observação publicado na Revista Nature sugere que pessoas com Diabetes Tipo 2 têm maior risco de desenvolver câncer e menor chance de sobreviver, embora esses riscos variem de acordo com os tipos de câncer. Obesidade pode explicar os riscos de muitos tipos de câncer, mas os riscos de cânceres específicos vão muito além da obesidade.

Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é o tipo mais comum de diabetes, afetando cerca de 90% das pessoas com a doença. Ele se manifesta com maior frequência em adultos quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não pruduz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia. O desenvolvimento do diabetes tipo 2 está fortemnte ligado a obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.

Um crescente corpo de evidências demonstra que o diabetes tipo 2 confere um risco aumentado de câncer total e câncer específico, e uma abundância de estudos avaliando a associação desse tipo de diabetes com a mortalidade por câncer. O diabetes tipo 2 e o câncer compartilham certos fatores de risco que podem contribuir para essas associações, como, por exemplo, obesidade, tabagismo e dieta. O estudo aponta que, até o ano de 2030, o câncer pode se tornar a causa mais comum de morte desse tipo de diabetes, corroborando com a afirmação de que esta é a “Doença do século XXI”.

O estudo foi bastante amplo e imparcial, avaliou tendências temporais nas causas de morte, incidência dos todos os tipos de câncer, mortalidade pós-câncer entre pacientes com diabetes tipo 2 em comparação com a população em geral e comparou com trabalhos publicados relacionando obesidade e câncer. Um banco de dados com um total de 457.473 pacientes com diabetes tipo 2 e mais de 2 milhões controles correspondentes, incluídos entre 1998 e 2014, foram usados no estudo.

Os dados sobre os resultados do câncer e todas as causas de morte foram recuperados do Swedish Cancer Registry e do Swedish Cause of Death Registry. O Registro Sueco de Câncer registra diagnósticos de câncer na Suécia desde 1958. Todos os médicos, patologistas e citologistas são obrigados a notificar o registro de cada pessoa que recebe um diagnóstico de uma nova neoplasia primária. O registro inclui todas as doenças malignas primárias e certas neoplasias benignas e lesões pré-cancerosas.

O DM2 apresentou um risco mais alto para todos os tipos de câncer. As maiores taxas de risco foram para câncer de fígado, pâncreas e útero. Houve menor aumento no risco de câncer de mama e colorretal. Pacientes com diabetes tipo 2 apresentaram taxa de risco mais alto de mortalidade para câncer de próstata, mama e colorretal.

O estudo, publicado em 15 de outubro, é relevante para esta época do ano em que evidenciamos a prevenção do câncer de mama (Outubro Rosa), o câncer de próstata (Novembro Azul) e o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro). Como proporcionalmente mais pessoas com diabetes tipo 2 estão morrendo de câncer ao longo do tempo, o câncer pode se tornar sua causa mais comum de morte dentro de uma década se as tendências atuais continuarem, um padrão ficando atrás dessas tendências na população em geral. Mesmo assim, é urgentemente necessário mais trabalho sobre como prevenir melhor o câncer no diabetes tipo 2.

China usou TVs estatais para provocar EUA usando a guerra da Coreia?

Na última segunda-feira, os filmes “Pela Paz” (為了 和平) e “Heróis” (英雄) foram exibidos em todos os canais estatais chineses para destacar “os sacrifícios e histórias não contadas das tropas chinesas” durante a Guerra da Coreia. A luta entre a Coreia do Sul e Coreia do Norte envolveu os Estados Unidos e a China.

O conflito começou quando a Coréia do Norte tentou invadir seu vizinho do sul, dando início a uma guerra que durou de 25 de junho de 1950 a 27 de julho de 1953, e teve apoio de 21 nações da ONU que defenderam o sul, enquanto a União Soviética e a China ajudaram a Coreia do Norte.

Soldados do Exército Voluntário do Povo Chinês antes do início de um dos últimos confrontos na Guerra da Coreia. Foto: Xinhua

A intervenção chinesa na Guerra da Coreia iniciou em 19 de outubro de 1950, e foi a primeira e única vez que lutou contra as forças americanas. O conflito rendeu para China até mesmo um museu, o “Memorial da Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia”, um memorial dedicado ao conflito que foi reaberto no final de setembro em meio a rumores de uma nova guerra fria entre as duas superpotências.

A reabertura do museu, que ficou fechado por seis anos, foi parte do eventos oficiais em comemoração do 70º aniversário do conflito, que, inclusive, contou com a exibição dos filmes aqui citados em rede nacional. A data é importante para a China, marcando o início da sua ascensão como grande potência, mas, no cenário atual, as comemorações são vistas como um recado de que os chineses não têm medo do confronto.

Nos últimos anos os Estados Unidos vêm aumentando as tensões com a China em quase todas as frentes e alinhando uma coalizão internacional contra o país. A guerra comercial e a crescente interferência dos EUA na região, colocam os países a beira de um conflito militar, que, possivelmente, será no território de Taiwan.

Como fica o Pix diante da desdolarização global e as criptomoedas

Diante da rápida deterioração dos laços entre China e os EUA, abriu-se em Pequim precedente para debater uma redução da dependência da moeda americana. Hoje a maior parte de suas reservas está em ativos denominados em dólar.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a China reduziu sua participação na dívida do governo dos EUA para US $ 1,07 trilhão no final de agosto, o nível mais baixo desde março de 2017. Apesar de a China considerar segredo de Estado informações sobre suas reservas, na revelação mais recente foi informado que, em 2015, a moeda americana representavam 58% das suas reservas.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o afastamento do dólar não é uma ação isolada dos chineses. No segundo trimestre de 2020, a participação da moeda americana teve uma queda acentuada em todo o mundo, isso se deu, principalmente, devido a procura por alternativas mais seguras durante a pandemia de COVID-19, como o ouro. Segundo o Bank of America, a parcela das reservas em dólares dos EUA caiu para 61,3%.

A preocupação chinesa não é infundada. Relembrando a história recente, após a ocupação russa da península ucraniana da Crimeia em 2014, a Rússia foi submetida a vários anos de sanções financeiras pelos Estados Unidos e seus aliados, o que causou muitas dificuldades no desenvolvimento econômico doméstico. Com a competição estratégica cada vez mais acirrada entre a China e os Estados Unidos, falta apenas um motivo forte para que a China também enfrente sanções financeiras e cambiais dos americanos. Um motivo forte como o COVID-19, por exemplo.

Por ser uma necessidade em comum, tanto Rúsica quanto a China trabalham com relativa urgência no objetivo da desdolarização. Em acordo assinado em 2019, firmaram o compromisso para fazer a transição gradual do comércio bilateral para moeda local. Além do comércio bilateral entre Rússia e China, as negociações dos russos com os europeus têm sido cada vez mais liquidadas em euros: No primeiro trimestre de 2020, 46% do comércio russo-europeu foi liquidado em euros, enquanto o rublo representou 18%.

Então o que significa essa gradual desdolarização dos bancos centrais globais? Para a Rússia, encorajar o uso de outras moedas no comércio bilateral visa neutralizar os EUA e suas ameaças financeiras. Um dólar mais fraco reduz o controle dos americanos no sistema bancário internacional e de câmbio estrangeiro, assim como no comércio de commodities e seu poder de precificação. Ou seja, uma vez que o dólar não seja a principal moeda de reserva do mundo, o dólar passa a ser apenas uma moeda, e toda a economia dos EUA sofrerá as consequências.

A opinião de especialistas é que várias economias usarão moedas digitais criptografadas, assim como o Bitcoin. A previsão ainda é que a Ásia poderá criar uma nova moeda de reserva. A China quer sair na frente nessa corrida, o Renminbi Digital está em testes desde 2014 e começou a ser implantado em fase de testes este ano.

O PIX também é uma criptomoeda?

Não. Pix é um método de transferência eletrônica, similar ao TED e ao DOC, que também será usado como meio de pagamento, similar ao cartão de débito e crédito, porém, o Pix se diferencia por não ter um cartão físico e por se comunicar diretamente com o banco. Pix também é muito diferente do WeChat, e compará-los é ignorância.

Para os chineses que estão testando o Renminbi Digital, a criptomoeda é semelhante ao WeChat e o AliPay, dois métodos de pagamento usados fortemente no país. Para nós, brasileiros, deverá ser similar ao PIX, que começa a valer em novembro.

Apesar de não ser uma criptomoeda, uma grande adesão ao PIX pode ser o primeiro passo para o Brasil substituir o papel por uma moeda digital criptografada.

Mundo fecha o cerco contra monopólio do Google, Apple e outras gigantes

Não dá para falar de gigantes de tecnologia sem falar da Microsoft, talvez a empresa do segmento que mais sofreu nos Estados Unidos com processos antitruste. As sansões e o bafo quente do governo americano no cangote do Bill Gates fez com que seus concorrentes crescerem, e não é que os meninos cresceram tão bem que agora também são alvos dos governos?

Na semana passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos queria abrir um processo antitruste contra o gigante da internet Google, o gira em torno do domínio do Google nas buscas na Internet. Fala-se também de acordos anticompetitivos para tornar o mecanismo de busca do Google o padrão em telefones celulares e outros dispositivos.

Além do Google, os reguladores americanos também têm como alvo outras grandes, como Facebook , Apple e Amazon, mas não é só nos Estados Unidos que as empresas de tecnologia estão sofrendo por sua ambição, na Europa, nos últimos três anos, a Comissão Europeia impôs três multas de cartel contra o Google, que totalizaram mais de oito bilhões de euros. Enquanto isso, a Apple, tem sido alvo de diversos processos, especialmente em relação as suas práticas na App Store, países como EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Austrália, Coreia do Sul e Japão, estão conduzindo investigações contra empresa.

O Japão foi o último a se juntar ao grupo de países que estão dispostos a regular o Google, Apple, Facebook e Amazon, o que eles chamam de GAFA. A intenção das nações é de iniciar uma regulamentação ainda mais rigorosa contra essas empresas, permitindo um ambiente mais competitivo, visto que multas bilionárias não tem surtido o efeito desejado de evitar o monopólio.

Todos reconhecem que essas empresas trouxeram benefícios claros para sociedade, mas sua sombra e contratos anticompetitivos afetam duramente empresas com grande potencial. Não é preciso ir muito longe para ver isso na prática, este ano, uma empresa chamada Zoom Video Communications oferecia seus serviços de conferência remota tranquilamente, quando viu suas ações explodirem devido ao uso do aplicativo no início da pandemia de COVID-19. Logo surgiram notícias estranhas sobre falhas, governos proibindo seu uso e, de repente, surge uma luz no horizonte chamada Google Meet, e depois Microsoft Teams, e depois conferências do Facebook no WhatsApp.

O domínio do mercado por grandes empresas representa um custo alto para sociedade. Vimos o que o objetivo cego do Facebook dominar as redes sociais fez com o SnapChat, copiando suas funcionalidades depois de ter sua oferta de compra recusada. Vimos também a guerra da Epic Games contra a Google e a Apple por condições melhores diante do monopólio das lojas de aplicativos. Fora da tecnologia, também não faltam exemplos da guerra Davi contra Golias travada diariamente em diversos segmento dos mercado.

Diante dessa realidade, cabe somente ao governo segurar as rédeas dessas empresas, incentivar a competição saudável e propiciar novos Googles, Apples, Facebooks e Amazons que, futuramente, também serão processados.

Em paralelo ao que acontece com as empresas ocidentais, já estão no radar desses países as chinesas Baidu, Alibaba, Tencent, Xiaomi e Huawei, que crescem cada vez mais fortes alimentadas pelo governo comunista da China, e também a Samsung, a chaebol coreana que encabeça os principais rankings da tecnologia.

Comparar PIX com WeChat é mera ignorância, saiba quais são as diferenças principais

Ao mesmo tempo que as dúvidas sobre como funciona o PIX aumentam com a proximidade do seu lançamento oficial, as comparações surgem de forma desinformada e, muitas vezes, ignorantes. A maior ignorância é afirmar que o Brasil está copiando o WeChat da China ou que os chineses usavam o PIX há muito mais tempo.

O PIX é um novo meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central. Ele é semelhante ao TED, ao DOC e aos cartões de débito, porém, mais rápido. Cada vez que você usa o cartão de débito, o dinheiro sai da sua conta instantaneamente para ir para a conta do comerciante, que, geralmente, só recebe o valor no próximo dia útil. Já no caso do TED e o DOC, que são transações usadas para transferir dinheiro entre bancos diferentes, a transferência só é realizada em horário bancário, então pode cair no mesmo dia ou levar dias.

Para fins de comparação, o PIX é um meio de transferir dinheiro eletronicamente mais rápido que as opções que temos hoje, sem limitação de horário e mais confidencial. PIX é tão rápido como uma transferência bancária entre clientes do mesmo banco, porém é mais confidencial, porque você não precisa passar informações pessoais, como o número da conta bancária, número do CPF ou dados do cartão.

Quando comparamos o PIX ao WeChat, estamos menosprezando a tecnologia por trás da nova solução do Banco Central e, principalmente, todo o esforço para evitar a fragmentação. Quem se lembra do tempo que existiam máquinas de cartão que só aceitavam VISA e outras que só aceitavam MASTERCARD sabe o que é fragmentação: O comerciante tinha que ter duas maquininhas, ou só aceitar uma bandeira. Esse o cenário fragmentado é o que a China vive hoje, o comerciante precisa ter conta no WeChat (Tencent) e no AliPay (Alibaba), duas gigantes que disputam o mesmo segmento.

WeChat é um aplicativo que merece toda nossa admiração, mas não por ser uma forma de pagamento, mas sim pelo número de funções agregadas e sua popularida. Como meio de pagamento, o WeChat é uma carteira virtual, ou seja, ele não se diferencia do PicPay, MercadoPago, PayPal, ApplePay, entre outros. Na China, o WeChat é mais como um banco, sendo o aplicativo comparável ao nosso cartão de débito.

Uma carteira virtual, ou carteira digital, ou, simplesmente, wallet, é algo usado há muito tempo para agregar formas de pagamentos, como vários cartão de crédito, contas bancárias ou saldo da própria carteira. O WeChat permite que você receba dinheiro pelo aplicativo e faça pagamentos com ele, mas isso pode ocorrer somente dentro do seu próprio ecossistema, isso porque o dinheiro fica na conta do WeChat. Então você pode pagar e receber somente de pessoas que também usam o WeChat, muito diferente do PIX.

WeChat é fruto de uma economia controlada pelo estado

Por que as pessoas comparam PIX ao WeChat? A resposta é simples, pela conveniência. Assim como no PIX, o WeChat permite fazer pagamentos com QR Code, o que não difere do que foi difundido pelo PicPay no Brasil nos últimos anos. QR Code é como um código de barras que foi projetado para poder ser lido de várias direções e em diferentes ângulos, o que facilita muito a identificação e a leitura por uma câmera de celular. O WeChat também é conveniente porque o número de pessoas que usam ele na China é muito grande, mantendo um duopólio com AliPay.

Tecnologia para fazer o que o WeChat faz nós já tinhamos antes do PIX e, apesar de algumas regras do Banco Central limitarem o uso do saldo da conta bancária de forma digital sem a senha bancária, várias empresas brasileiras exploravam esse mercado, entretanto, o Brasil não tinha um regime comunista totalitário que ajudasse uma dessas empresas a se destacar no mercado.

Em um passado não muito distante, o PayPal reinou no ocidente como o principal meio de pagamento na internet, mercado que não conseguiu consolidar no Brasil devido a forte presença do PagSeguro. Mesmo assim, graças a livre concorrência, outras como MercadoPago e a extinta Moip foram ganhando fatias do mercado. Em 2017, veio o fim da exclusividade de bandeiras em máquinas de cartão, e a estratégia dos meios de pagamentos mudou para venda de maquininhas. Em paralelo, a PicPay já se mostrava como uma opção viável para virtualizar o cartão de crédito. Este ano o WhatsApp tentou agregar o mesmo que o PicPay faz ao seu aplicativo de bate-papo, mas foi barrado por motivos de interesse nacional, o PIX. Ou seja, não se trata de falta de interesse ou atraso, mas sim de estratégias de mercado, oportunidade, criatividade das fintechs e propaganda.

O WeChat, com a permissão do governo comunista chinês, agregou o seu meio de pagamento a uma série de funções que já oferecia. As funções que já oferecia incluem, primordialmente, o próprio bate-papo, algo que é usado no cotidiano das pessoas. É como se o WhatsApp, que todo brasileiro usa diariamente e já tem instalado no seu smartphone, pudesse ser usado para pagar contas. A estratégia de expansão do WeChat e o AliPay no mercado fechado chinês fez com que eles substituissem os cartões na China, se tornando mais convenientes até mesmo que o dinheiro físico.

PIX não é moeda digital

Para quem ainda acha que o Brasil copiou o WeChat, ou que o PIX é tecnologia chinesa, ou que o Brasil é atrasado em relação a China, é importante saber que a China também está implantando um sistema parecido com o PIX este ano, mas já como moeda digital. O “Renminbi Digital”, onde “renminbi” é o nome da moeda chinesa, está em fase de testes e já se encontra ao lado do QR Code dos famosos aplicativos citados aqui. A tecnologia vem sendo testada desde 2014, e pode substituir de vez o dinheiro na China e, provavelmente, substituir os aplicativos privados.

No Brasil, o cartão de débito atende perfeitamente a demanda do usuário pagador e é mais conveniente do que o dinheiro, porém, devido as taxas, é ruim para o recebedor. Na relação comercial, o PIX nada mais é do que um cartão de débito online, que também terá taxas para o recebedor, mas, espera-se, que essas taxas sejam menores do que a dos cartões.

Para a pessoa física, a vantagem vem na ausência de taxas de transferência. Hoje para fazer um TED ou DOC, além da inconveniência dos limites de valores e horários, a taxa bancária é alta. O PIX permitirá taxa zero, o que não significa imposto zero, mas já é um grande avanço.

Apesar de tudo isso parecer bem digital, nada mais é do que nós já fazemos hoje. O dinheiro físico ou os títulos de créditos/dívidas continuarão circulando nos bastidores das operações. Sendo assim, PIX não pode ser considerado uma moeda digital, ou comparado com Bitcoin, mas, em um futuro próximo, com um pouco de vontade política e interesse do setor privado, o papel moeda pode deixar de existir.

Conclusão? É hora de privatizar a Casa da Moeda.

Aplicativos permitem ganhar dinheiro na internet com criatividade

Nem só pelo TikTok caminha a humanidade, durante a pandemia muitas plataformas digitais viram seus números crescerem vertiginosamente e garantiram que cabeça vazia não é oficina do diabo, mas sim oportunidade de fazer dinheiro com lives, cursos e conteúdo de qualidade (ou não).

A câmera do celular nunca foi tão castigada quanto nos últimos meses. Seja para falar com a tia pelo WhatsApp, para caçar Pokemon, fazer dublagem no TikTok ou uma live no YouTube, a câmera não teve descanso. E muitos conseguiram fazer desse “hobby”, uma fonte de renda. É o caso da Mariana Pinnoti, que fatura alto fazendo lives e ganhou o H2H International, evento da plataforma de broadcasting LiveMe.

Em agosto, a brasileira Mariana Pinnoti venceu a americana Kari NC ao mostrar suas músicas. A artista ganhou dois mil dólares após passar por quatro fases com outros quinze competidores durante batalhas com sete rounds de até quarenta minutos.

Além dessa quantia ganha em dólares, Mariana também já vem conseguindo uma renda mensal com o LiveMe. De acordo com a usuária, as transmissões ao vivo se tornaram sua principal fonte de renda em 2020: “Não só (renda) extra, mas renda principal. Nesse último mês recebi mais de R$ 20 mil e, em média, consigo R$ 16 mil reais por mês”, diz a transmissora do LiveMe.

Para quem nunca ouviu falar (assim como o autor deste artigo até agora), esse tal de LiveMe é um aplicativo de transmissões ao vivo que está disponível em mais de 85 países. O aplicativo LiveMe parece confiável, a empresa foi fundada em 2016 e foi nomeada pela Fast Company’s como uma das Empresas Mais Inovadoras em 2018.

As opções para ganhar dinheiro na internet não são poucas. Mesmo para quem não é influencer, existem os aplicativos como iFood, Uber e TikTok que recompensam por indicação de novos clientes. Em alguns casos, a recompensa vira dinheiro de verdade, como é no Banco Neon, que deposita R$ 15 na sua conta por cada novo cliente indicado. Para quem vende até a mãe, o OLX se tornou a grande oportunidade de ganhar dinheiro na compra e venda. E assim por diante, são opções intermináveis, passando até mesmo pela Bettina da Empiricus, é só escolher o sabor e explorar as oportunidades.

Museu judaico é inaugurado na Alemanha após cinco anos

Localizada no centro do átrio do museu, uma grande escultura em árvore. O moderno e iluminado edifício Rothschild Palais abriga uma árvore fundida em alumínio, que segura, com sua copa, a copa de uma segunda árvore, cujas raízes alcançam o céu. A obra feita pelo artista israelense Ariel Schlesinger é um novo marco do Museu Judaico de Frankfurt, e simboliza a tensão entre ser enraizado e desenraizado.

O Museu Judaico de Frankfurt, o mais antigo do gênero na Alemanha, está reabrindo aos visitantes após cinco anos de reformas. A data de inauguração foi adiada duas vezes, o museu será reaberto aos visitantes na quarta-feira (21).

O museu não é apenas estruturalmente novo. Ele agora se vê como um “centro para a cultura judaica do passado e do presente”. Ele fornece uma estrutura para o passado judaico da cidade, mas é principalmente dedicado à vida judaica contemporânea em Frankfurt. Isso é único na Alemanha, disse o prefeito Peter Feldmann.

Átrio do renovado Museu Judaico de Frankfurt. Foto © Jewish Museum Frankfurt / Norbert Miguletz

A exposição permanente “Nós somos agora” mostra o Frankfurt judeu desde o Iluminismo até o presente em cerca de 1.400 metros quadrados e três andares, e obras de arte de Moritz Daniel Oppenheim (1800 – 1882), o primeiro pintor judeu a receber formação acadêmica, são exibidas em um salão. Também há um salão dedicado à família Frank, que viveu em Frankfurt por gerações. Particularmente lembrado é a cadeirinha de criança de Anne Frank, que foi assassinada no campo de concentração de Bergen-Belsen em 1945.

O novo prédio também abriga uma biblioteca e um restaurante kosher, que também são acessíveis a hóspedes que não são do museu. No futuro, mais eventos, discussões, palestras e workshops acontecerão no novo prédio. Exposições especiais serão exibidas no novo edifício, a primeira com o título “O lado feminino de Deus”.

Frankfurt foi a primeira cidade a ter um museu judeu construído na Alemanha após o Holocausto. Foi inaugurado em 9 de novembro de 1988 no histórico Rothschild Palais, agora renovado.

Fraude financeira abala o establishment político sul-coreano

Escândalo de fraude financeira envolvendo dois fundos de private equity está colocando grupos políticos da Coréia do Sul uns contra os outros. As acusações entre governo e oposição começara depois que o chefe de um dos fundos (preso) divulgou alegações de má conduta que, supostamente, atingem profundos círculos de grupos políticos e promotores públicos.

Kim Bong-hyun, um dos principais suspeitos no caso de fraude financeira envolvendo a Lime Asset Management Co., alegou ter feito lobby junto a promotores e políticos da oposição. Ao mesmo tempo, uma investigação em andamento levantou suspetias de que ex-funcionários do gabinete presidencial podem ter sido alvos de lobby.

Os fundos de investimento Lime e Optimus estão no centro do que pode se tornar um escândalo de lobby político em grande escala, envolvendo grandes alegações de fraude financeira. Juntos, os fundos geraram mais de 1,75 bilhão de dólares em perdas para cerca de 5000 investidores.

“Pelo menos de agora em diante, uma investigação completa deve ser realizada (pela promotoria)”, disse o presidente do Partido Democrata, o deputado Lee Nak-yon, durante a reunião do conselho superior do partido. O Partido Democrata (DP), no poder, atacou a promotoria acusando-a de fabricar o resultado da investigação inicial.

O principal partido da oposição, People Power Party (PPP), culpou o ministro da justiça, Choo Mi-ae, pelo que chamou de falta de objetividade nas investigações relacionadas e exigiu o lançamento de uma investigação independente.